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            O mês de junho de 2026 marca os 187 anos de nascimento de Machado de Assis. Nascido em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro, sede da Corte do Império do Brasil, Joaquim Maria Machado de Assis se notabilizou como jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo. Saiba mais....

   

 

 

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Cartograma da produção extrativa, agrícola e pecuária do estado de Minas Gerais, Secretaria da Agricultura do Estado de Minas Gerais, 1929
Cartograma da produção extrativa, agrícola e pecuária do estado de Minas Gerais, Secretaria da Agricultura do Estado de Minas Gerais, 1929

A Diretoria de Indústria Animal foi criada pelo decreto n. 7.622, de 21 de outubro de 1909, com o objetivo de promover o desenvolvimento da pecuária no país. Suas competências compreendiam a realização de estudos sobre a criação de animais e melhoramento das raças, e sobre os modernos processos da indústria de laticínios; a difusão de conhecimentos práticos relativos aos métodos zootécnicos; a organização e manutenção dos livros genealógicos; a inspeção veterinária, a partir da elaboração de medidas de combate às epizootias e da fiscalização de matadouros e estábulos; e a coleta de dados estatísticos e informações para o comércio do gado e dos produtos da indústria animal (Brasil, 1913, p. 581-582).

A diretoria foi concebida no contexto de instalação do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, instituído em resposta às demandas de grupos afastados do pacto político dominado pelos cafeicultores paulistas, capitaneados pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), que defendiam projetos de diversificação e de modernização da produção agrícola brasileira (Mendonça, 1997, p. 55; 115). No que se refere especialmente à criação do gado bovino, a modernização presente nas propostas dos produtores ancorava-se nas ideias de aperfeiçoamento e aclimatação de raças, e de melhoramentos na alimentação e no combate de doenças (Medrado, 2013, p. 88-92).

De acordo com o ministro Rodolfo Miranda, a fundação da Diretoria de Indústria Animal expressou, em primeiro lugar, uma preocupação com o desenvolvimento da produção de carne para o consumo, considerada como a “base da alimentação pública” (Brasil, 1910, p. XXII), embora as ações também fossem dirigidas, em menor escala, para a utilização de animais como meios de transporte.

Segundo o decreto n. 7.622, de 1909, a sede do órgão ficaria na Fazenda de Pinheiro, no município de Piraí, atual cidade de Pinheiral, no estado do Rio de Janeiro, tendo como estabelecimento principal o Posto Zootécnico Federal. A diretoria seria ainda formada pelas seções de Zootecnia, de Bromatologia Animal, de Medicina Veterinária e Inspeção Sanitária do Gado, de Leiteria e Econômica.

Para favorecer a divulgação dos conhecimentos zootécnicos foram previstas a criação de postos zootécnicos regionais, a atuação de auxiliares não remunerados em diversos pontos do país e a publicação do Boletim Mensal, com informações úteis à indústria pecuária. O ato também dispôs que os postos zootécnicos pertencentes aos estados, municípios ou particulares poderiam receber subvenção da União, desde que ficassem sujeitos à inspeção e à orientação da Diretoria de Indústria Animal, e criou uma seção de profilaxia das epizootias no Instituto Oswaldo Cruz.

No ano seguinte, o decreto n. 8.037, de 26 de maio, alterou o nome do órgão para Posto Zootécnico Federal. Em 31 de outubro, o decreto n. 8.331 estabeleceu o Serviço de Veterinária, transferindo para esta estrutura as funções relativas à inspeção veterinária e à organização de medidas de combate a epizootias. O novo órgão também ficou responsável pelas investigações científicas sobre doenças, pelo preparo dos produtos biológicos, como soros e vacinas, e pelo tratamento das enzootias e epizootias (Brasil, 1915a, p. 1.171-1.180).

Ainda em 1910, o decreto n. 8.319, de 20 de outubro, organizou o ensino agronômico em diversos níveis e modalidades, criando a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, escolas médias ou teórico-práticas, aprendizados agrícolas e outras repartições de apoio, como estações experimentais, campos de demonstração, postos zootécnicos, postos de seleção do gado nacional, estações zootécnicas, coudelarias, escolas permanentes de laticínios, entre outras. Com a instalação desses órgãos, formou-se uma extensa rede orientada para a “propagação tecnológica”, com o fim de difundir as diretrizes da modernização da agricultura e da pecuária propostas pelo ministério (Mendonça, 1997, p. 53).

Nesse contexto, o decreto n. 8.367, de 10 de novembro de 1910, criou uma escola de agricultura no Posto Zootécnico Federal, que abrigaria um curso teórico-prático de três anos, com a finalidade de colaborar com o desenvolvimento econômico da região (Brasil, 1915b, p. 1.401). Nessa mesma data, o decreto n. 8.366 deu novo regulamento ao Posto Zootécnico Federal, preservando a maior parte de suas atribuições. Apesar da criação do Serviço de Veterinária, o órgão conservou algumas competências relacionadas ao estudo das doenças que afetavam o gado, sua profilaxia e tratamento. Este decreto também reorganizou a estrutura do órgão, que passou a contar com as seções de Zootecnia e Veterinária, de Química Agrícola e Bromatologia, de Leiteria e Agronômica (Brasil, 1915c, p. 1.367-1.400).

Em seus primeiros anos, o órgão adquiriu reses, promoveu medidas de aclimatação do gado e empréstimos de reprodutores, além de produzir leite e fabricar manteiga e queijo. Entre 1911 e 1912, havia no posto 392 cabeças de animais, sendo 147 bovinos, 75 equinos, 24 ovinos, 13 caprinos e 133 suínos (Brasil, 1912, p. 37). Nesse período, foram criados mais dois postos zootécnicos, o primeiro no município de Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, pelo decreto n. 8.734, de 17 de maio de 1911, e o segundo em Lages, Santa Catarina, pelo decreto n. 9.513, de 3 de abril de 1912.

Em 1914, o decreto n. 10.854, de 15 de abril, aprovou o regulamento do Posto Zootécnico Federal, diminuindo para três o número de suas seções, ao anexar a antiga seção de Leiteria à de Zootecnia e Veterinária. No ano seguinte, ocorreu a reorganização dos serviços governamentais dedicados à pecuária, com a transformação do Serviço de Veterinária em Serviço de Indústria Pastoril, pelo decreto n. 11.460, de 27 de janeiro, o que acarretou a incorporação das funções do Posto Zootécnico Federal, que também foi transferido para sua esfera de atuação, juntamente com o de Lages e o de Ribeirão Preto. No mesmo dia, o decreto n. 11.461 estabeleceu o novo regulamento dos postos zootécnicos federais.

A expansão da estrutura governamental e a centralização das atividades refletiu em grande parte o aumento da exportação de carne, efeito gerado pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ao lado do crescimento da demanda do mercado interno, que contribuíram para o processo de modernização da pecuária brasileira (Medrado, 2013, p. 151; 171).

Em 1916, o decreto n. 12.012, de 29 de março, transferiu para a Fazenda de Pinheiro, a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária, a qual ficaram incorporadas a Escola Média da Bahia e a Escola de Agricultura que funcionava anexa ao Posto Zootécnico Federal. No ano seguinte, o Posto Zootécnico de Ribeirão Preto passou para a administração municipal pela lei n. 3.232, de 5 de janeiro.

A partir de 1930, foram promovidas grandes transformações na pasta da Agricultura, Indústria e Comércio, que teve sua denominação alterada para Ministério da Agricultura após a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. O decreto n. 19.748, de 12 de março de 1931, autorizou o ministro a extinguir os postos zootécnicos e outros órgãos que não atendessem aos objetivos visados. Nesse mesmo ano, o decreto n. 20.210, de 14 de julho, transferiu o Posto Zootécnico de Lages para o governo do estado de Santa Catarina, medida que foi revertida em 1934, pelo decreto n. 23.895, de 20 de fevereiro. Em 1933, o decreto n. 22.380, de 20 de janeiro, extinguiu o Serviço de Indústria Pastoril, e o decreto n. 22.507, de 27 de fevereiro, determinou que a Fazenda de Pinheiro fosse a sede da Inspetoria Regional da Diretoria de Fomento da Produção Animal, sem mencionar o posto zootécnico.

Angélica Ricci Camargo
Nov. 2019

 

Fontes e bibliografia

BRASIL. Decreto n. 7.622, de 21 de outubro de 1909. Cria a Diretoria de Indústria Animal. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, v. 2, p. 581-587, 1913.

______. Decreto n. 8.331, de 31 de outubro de 1910. Cria o Serviço de Veterinária, no Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, e aprova o respectivo regulamento. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, v. 3, p. 1.171-1.180, 1915a.

______. Decreto n. 8.367, de 10 de novembro de 1910. Estabelece no Posto Zootécnico Federal, em Pinheiro, uma Escola de Agricultura e lhe dá regulamento. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, v. 2, parte 2, p. 1.400-1.416, 1915b.

______. Decreto n. 8.366, de 10 de novembro de 1910. Dá regulamento ao Posto Zootécnico Federal, criado pelo decreto n. 7.622, de 21 de outubro de 1909, com a denominação de Diretoria de Indústria Animal. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, v. 2, parte 2, p. 1.367-1.400, 1915c.

______. Decreto n. 10.854, de 15 de abril de 1914. Reorganiza o Posto Zootécnico Federal em Pinheiro. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, v. 2, p. 65-75, 1916.

______. Relatório apresentado ao presidente da República dos Estados Unidos do Brasil pelo ministro de Estado da Agricultura, Indústria, Comércio Rodolfo Nogueira da Rocha Miranda em 1910. Rio de Janeiro: Oficinas da Diretoria-Geral de Estatística, 1910. Disponível em: https://bit.ly/2OPog7h. Acesso em: 26 nov. 2019.

______. Relatório apresentado ao presidente da República dos Estados Unidos do Brasil pelo ministro de Estado da Agricultura, Indústria, Comércio dr. Pedro de Toledo em 1912. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1912. Disponível em: https://bit.ly/2KTOMvq. Acesso em: 26 nov. 2019.

MEDRADO, Joana. Do pastoreio à pecuária: a invenção da modernização rural nos sertões do Brasil Central. Tese (Doutorado em História) – Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2013.

MENDONÇA, Sônia Regina. O ruralismo brasileiro (1888-1931). São Paulo: Hucitec, 1997.

 

Documentos sobre este órgão podem ser encontrados nos seguintes fundos do Arquivo Nacional

BR_RJANRIO_23 Decretos do Executivo - Período Republicano

  

Referência da imagem

Arquivo Nacional, Coleção Academia Brasileira de Letras, BR_RJANRIO_DS_0_MAP_17

 

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