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            O mês de junho de 2026 marca os 187 anos de nascimento de Machado de Assis. Nascido em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro, sede da Corte do Império do Brasil, Joaquim Maria Machado de Assis se notabilizou como jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo. Saiba mais....

   

 

 

Vista do Rio de Janeiro. Fotografia de Rodrigues & Co., s.d.
Vista do Rio de Janeiro. Fotografia de Rodrigues & Co., s.d.

A Contadoria Central da República foi criada pelo decreto n. 15.210, de 28 de dezembro de 1921, com a finalidade de administrar a contabilidade geral da União, compreendendo os atos relacionados à gestão do patrimônio nacional e à inspeção e registro da receita e despesa federais. Suas atividades abrangiam a proposição de alterações na legislação relacionada à contabilidade; a expedição de instruções às contadorias seccionais dos ministérios, aos estabelecimentos industriais, às estações arrecadadoras e pagadoras da União; a fiscalização do serviço de contabilidade da República, uniformizando sua organização e movimento, entre outras (Brasil, 1922, p. 147-150).

Subordinada ao Tesouro Nacional, a Contadoria assumiu competências que antes pertenciam à Diretoria-Geral de Contabilidade. As origens dessa diretoria remontam à instituição do Erário Régio, no contexto de instalação da família real portuguesa no Brasil. O alvará de 28 de junho de 1808, que fixou as funções do órgão, também definiu os procedimentos de escrituração da contabilidade, ordenando a utilização do método de partidas dobradas. O mesmo alvará estruturou o Erário, dividindo os trabalhos entre a mesa, a tesouraria-mor, a tesouraria-geral dos ordenados, pensões, juros e tenças, e três contadorias-gerais. Em 1831, a lei de 4 de outubro extinguiu as contadorias e suas atribuições foram absorvidas pela Contadoria-Geral da Revisão, que foi sucedida pela Diretoria-Geral de Contabilidade, criada em 1850 pelo decreto n. 736, que promoveu uma grande reforma no Tesouro Público Nacional.

De acordo com esse decreto, cabiam à Diretoria-Geral de Contabilidade a tomada de contas de todos os empregados encarregados de serviços de arrecadação e pagamento da Corte e província do Rio de Janeiro, e da agência brasileira em Londres; a revisão das contas tomadas pelas Contadorias de Marinha e Guerra, pelas tesourarias das províncias e pela Administração do Correio e de suas agências; a escrituração parcial da corte e província do Rio de Janeiro, e a central de todo o Império; a organização dos orçamentos e balanços gerais, e do grande livro da dívida pública; a liquidação da dívida ativa e passiva; e o assentamento do pessoal ativo civil e eclesiástico, e do inativo do Império (Brasil, 1851, p. 248-249).

Como observado acima, os serviços realizados pela Diretoria-Geral de Contabilidade ultrapassavam o âmbito da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda, depois denominada Ministério da Fazenda. Tal amplitude se manteve até a criação da Contadoria Central da República, em 1921, que restringiu a jurisdição da diretoria ao ministério, igualando-a às repartições congêneres existentes em todas as pastas.

A instalação da Contadoria Central da República foi antecedida por outras medidas governamentais suscitadas por problemas relativos ao balanço do Tesouro, exigido durante a negociação do segundo empréstimo de consolidação de dívida externa, chamado de funding loan, em 1913. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Rivadávia da Cunha Correia, criou uma comissão destinada a organizar a escrituração do Tesouro Nacional pelo método de partidas dobradas, que contou com a participação de funcionários do Tesouro de São Paulo, onde, no início do século XX, foi empreendida a reforma de escrituração e a introdução da contabilidade patrimonial e financeira (Adde et al., 2014, p. 324). Apesar de prescrito desde 1808, o método das partidas dobradas não havia sido implementado de forma efetiva na administração pública, que também enfrentava outros obstáculos relacionados à organização contábil.

Outra medida tomada nessa direção foi aprovada pelo decreto n. 13.746, de 1919, que deu instruções para a fiscalização dos serviços de contabilidade pública realizados pelos órgãos arrecadadores e pagadores, então a cargo da Diretoria-Geral de Contabilidade.

Ao lado desse movimento na administração pública, o crescimento da produção cafeeira e o desenvolvimento industrial e comercial verificados nesse período também demandaram o aprimoramento da gestão das atividades produtivas e de controle contábil, impulsionando a expansão de escolas comerciais e a formação de contadores em todo o país (Adde et al., 2014, p. 323).

O decreto n. 15.210, que criou a Contadoria Central, determinou que a repartição ficaria sob o comando de um contador, ao qual seriam subordinadas três seções, compostas por guarda-livros e escriturários “escolhidos entre os mais competentes em assuntos de contabilidade” (Brasil, 1922, p. 147).

Em 1922, o decreto n. 4.536, de 28 de janeiro, regulamentado pelo decreto n. 15.783, de 8 de novembro do mesmo ano, organizou o Código de Contabilidade da União e estabeleceu os procedimentos referentes ao orçamento e gestão financeira, receita e despesa públicas. Dois anos depois, o decreto n. 16.650, de 22 de outubro, deu nova organização à contadoria, vinculando-a diretamente ao Ministério da Fazenda. O ato também definiu como contadorias seccionais as diretorias de contabilidade dos ministérios e como subcontadorias seccionais a Delegacia do Tesouro em Londres, as delegacias fiscais, alfândegas, mesas de rendas, repartições dos correios e telégrafos, estradas de ferro, Caixa de Amortização, Imprensa Nacional, Casa da Moeda e estabelecimentos industriais da União.

A estrutura da Contadoria Central da República ficou dividida em direção, secretaria e três divisões abrangendo o corpo técnico. O decreto n. 16.650 ainda estabeleceu um serviço de inspeção descentralizado, dividindo o país em oito circunscrições.

A contadoria foi instalada em janeiro de 1925 e rapidamente promoveu melhorias na escrituração das repartições fiscais, colaborando com a organização pontual dos balanços de receita e despesa, e a reorganização dos balanços patrimoniais (Brasil, 1926, p. 33). Em 1928, o decreto n. 5.426, regulamentado pelo decreto n. 18.554 do mesmo ano, alterou algumas disposições do código de contabilidade, sem promover mudanças na estrutura do órgão, que manteve suas atribuições até o final da Primeira República.

 

 Angélica Ricci Camargo
Mar. 2020

 

Fontes e bibliografia

ADDE, Tiago Villac; IUDÍCIBUS, Sérgio de; RICARDINO FILHO, Álvaro Augusto; MARTINS, Eliseu.  A Comissão das Partidas Dobradas de 1914 e a contabilidade pública brasileira. Revista Contabilidade & Finanças, São Paulo, v. 25, p. 321-333, set./dez. 2014. Disponível em: https://bit.ly/33hedz3. Acesso em: 10 mar. 2020.

BRASIL. Contas do exercício financeiro de 1925 e relatório da Contadoria Central da República. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1926.

______. Decreto n. 736, de 20 de novembro de 1850. Reforma o Tesouro Público Nacional e as tesourarias das províncias. Coleção das leis do Império do Brasil, Rio de Janeiro, v. 1, parte 2, p. 243-261, 1851.

______. Decreto n. 15.210, de 28 de dezembro de 1921. Aprova o regulamento que altera a organização dos serviços da Administração Geral da Fazenda Nacional. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, parte 2, v. 6, p. 142-172, 1922.

______. Decreto n. 16.650, de 22 de outubro de 1924. Organiza definitivamente a Contadoria Central da República. Diário Oficial da República dos Estados Unidos do Brasil. Poder Executivo, Rio de Janeiro, 13 nov. 1924. Seção 1, p. 2.406-2.4082.

 

Documentos sobre este órgão podem ser encontrados nos seguintes fundos do Arquivo Nacional

BR_RJANRIO_23 Decretos do Executivo - Período Republicano

 

Referência da imagem

 Arquivo Nacional, Fundo Coleção de Fotografias Avulsas, BR_RJANRIO_O2_0_FOT_0444_d0008de0058