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Fábrica de Armas da Fortaleza da Conceição

Publicado: Quinta, 10 de Novembro de 2016, 12h56 | Última atualização em Quinta, 24 de Mai de 2018, 12h27 | Acessos: 485

A chamada Fábrica, ou Casa, de Armas da Fortaleza da Conceição do Rio de Janeiro foi fundada em 1765, diante da necessidade de produção de armamento na colônia.

A instalação de uma fábrica de armas no Brasil inseriu-se no processo de reorganização militar que ocorreu em Portugal durante o século XVIII, parte de um programa maior de centralização e modernização do aparelho do Estado. Em 1736 foi criada a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra e a partir de 1762 foi iniciada a reestruturação do Exército português, conduzida pelo conde de Lippe, que implicou a criação de auditorias de guerra, a reforma das tropas, a substituição dos terços pelos regimentos e a adoção de princípios estratégicos oriundos do modelo prussiano de Frederico II, que valorizava a ofensiva. Essas medidas visavam aumentar a coesão e eficiência das forças militares e foram acompanhadas pelo incremento da instrução de oficiais e por inovações no reparo e fabrico de armas (WEHILING; WEHLING, 2008, p. 27; NUNES, 2004, p. 76-81).

A fabricação e o conserto de armas em Portugal eram deficitários tanto em termos de capacidade de produção quanto em termos tecnológicos. No geral, o armamento ligeiro e o material de artilharia eram produzidos em pequenas quantidades pelo Arsenal Real do Exército e as espingardas dos modelos de infantaria, carabinas e pistolas em fundições reais. Este assunto, no entanto, era estratégico para Portugal, especialmente depois da Campanha do Roussillon, ocorrida em 1793 em ação conjunta com a Espanha contra França, e do ataque da Espanha e França a Portugal em 1801, conhecido como Guerra das Laranjas. Esses dois eventos levaram o país a importar armamentos da Inglaterra e, posteriormente, da Alemanha, de onde também viriam mestres espingardeiros para auxiliar a instalação de uma fábrica de armas nas cidades do Porto e Lisboa (COELHO, 20112, p.4-6). Com a primeira invasão das tropas napoleônicas a Portugal, a ideia da construção de uma nova fábrica de armas foi abandonada e alguns dos mestres alemães acabaram por acompanhar a transmigração da Corte para o Brasil, em 1808 (COELHO, 20112, p. 14).

No Brasil, a vinda da família real trouxe mudanças administrativas importantes, com a instalação de órgãos centrais da administração portuguesa e o aperfeiçoamento daqueles que já existiam na colônia. No caso específico da organização militar, foram instaladas fábricas de ferro e pólvora, reestruturado o Arsenal Real do Exército e criada a Real Academia Militar, entre outras disposições. O alvará de 1º de março de 1811 criou a Real Junta de Fazenda dos Arsenais do Exército, Fábricas e Fundições destinada a promover a ordem econômica dos estabelecimentos de Guerra e estimular a educação de oficiais e artistas hábeis, o que incluía a Fábrica de Armas da Fortaleza da Conceição.

Nesse cenário, se em 1794 a fábrica era composta por um inspetor, um escrivão, um mestre espingardeiro, um contramestre, um mestre latoeiro, um mestre coronheiro e um fiel, entre 1808 e 1822 o número de funcionários cresceu, com o aumento das oficinas da fábrica e a admissão de aprendizes (CRUZ, 1862, p. 454; ALMANAQUES, 1937, p. 303).

Além das atividades da Fábrica da Conceição, foram empreendidas outras medidas destinadas ao incremento da fabricação de armas, como o decreto de 12 de novembro de 1811, que ordenou o estabelecimento de uma oficina de espingardeiros em cada regimento de infantaria e artilharia. Tal fato, no entanto, parece não ter surtido os efeitos desejados, visto que em 11 de julho de 1822 as oficinas foram suprimidas, voltando os consertos a serem feitos na Fortaleza da Conceição.

Após a Independência, a Fábrica da Conceição continuou em funcionamento durante todo o período imperial, sendo a mudança mais significativa realizada pelo decreto n. 5.118 de 1872 , que a incorporou ao Arsenal de Guerra da Corte, sob a denominação de 3ª Seção. Em 1892, o aviso de 25 de janeiro determinou que a 3ª Seção voltasse a ser chamada de Fábrica de Armas, mas a decisão foi logo revogada pelo aviso de 10 de março do ano seguinte.


Angélica Ricci Camargo
26 mar. 2013

 
Bibliografia
ALMANAQUES da cidade do Rio de Janeiro para os anos de 1792 e 1794. Anais da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, v. 59 (1), p. 188-356, 1937. Disponível em: <https://goo.gl/NoHFx2> . Acesso em: 2 jul. 2009.

COELHO, Sérgio Veludo. Espingardas e espingardeiros alemães nos Arsenais Reais nacionais – 1806/1814. Revista Militar, Lisboa, n. 2508, jan. 2011. Disponível em: <https://goo.gl/f9RpJZ>. Acesso em: 13 jun. 2012.

CRUZ, José de Sousa Pereira da. Acontecimentos da fortaleza da Conceição do Rio de Janeiro, 1844. Revista do IHGB, Rio de Janeiro, v. 25, p. 453-458, 1862.

NUNES, António Pires. Quadros da vida militar – das ordenações sebásticas às invasões francesas. In: BARATA, Manuel Themudo; TEIXEIRA, Nuno Severiano (dir.). Nova História Militar de Portugal, v. 5. Lisboa: Círculo de Leitores, 2004, p. 45-98.

PONDÉ, Francisco de Paula e Azevedo. Organização e administração do Ministério da Guerra no Império. Coord. Vicente Tapajós. Brasília: Fundação Centro de Formação do Servidor Público; Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1986. (História Administrativa do Brasil, v. 16).

WEHILING, Arno; WEHLING, Maria José. Exército, milícias e ordenanças na Corte Joanina: permanências e modificações. DaCultura. Ano VIII, n. 14, jun. 2008, p. 26-32. Disponível em: <https://goo.gl/6orMhY>. Acesso em: 15 jan. 2010.


Documentos sobre o órgão podem ser encontrados nos seguintes fundos do Arquivo Nacional
BR AN,RIO 2H – Diversos SDH – Caixas: ‘Depósito de Armas na Conceição’ – checar códice 2632,2,27


Referência da imagem
Encyclopédie, ou, Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, par une société de gens de lettres. Paris: Briasson, 1751-1780. OR_1896_V1_ PL07

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