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Johann Moritz von Nassau-Siegen, Maurício de Nassau

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Nasceu em Dillemburg, Alemanha, em 17 de junho de 1604. Proveniente de família nobre, era filho do conde João VII de Nassau e de Margarida de Holstein, princesa de Holstein-Sonderburg, da dinastia de Brunswick. Aos dois anos mudou-se com a família para Siegen, onde passou a infância. Aprendeu as primeiras letras com seu pai, para depois estudar na escola latina da cidade. Em 1614, aos dez anos, foi enviado para a universidade da Basileia, na Suíça, indo para Genebra no ano seguinte. De 1616 a 1619 viveu em Kassel, na Alemanha, onde continuou seus estudos no colégio Mauritianum, criado por seu cunhado, Moritz von Hesse Kassel, marido de sua meia-irmã Juliana, para os filhos da nobreza protestante. Em 1620 retornou a Siegen, levado pelo pai, onde conseguiu o cargo de alferes de cavalaria, servindo nesse regimento dirigido por seu meio irmão, Guilherme. Em 1626 foi promovido a capitão e, três anos depois, a coronel. Destacou-se militarmente, em 1636, na reconquista de Schenkenshaus, no ducado de Cleve (Alemanha), quando seus feitos militares tornaram-se conhecidos nos Países Baixos. Foi convidado pelo Conselho dos XIX, da Companhia das Índias Ocidentais, para assumir o governo civil e militar do Brasil holandês, cargo que ocupou de 1637 a 1644. Aportou em Recife em 23 de janeiro de 1637, com 12 navios, acompanhado de uma comitiva de cientistas, arquitetos, cartógrafos, artistas e naturalistas. Faziam parte do grupo os pintores Frans Post e Albert Eckhout, o naturalista Georg Marcgraf (1610-1644) e o médico Willem Piso (1610-1678).  No início de fevereiro, atacou Porto Calvo, em Alagoas, conseguindo vencer as tropas luso-brasileiras no último foco de resistência contra a ocupação holandesa, e estabeleceu os limites do Brasil holandês. Organizou a administração, transferindo o centro político de Olinda para Recife. Combateu a corrupção e estimulou a recuperação econômica da colônia, ofereceu empréstimos aos senhores de engenhos de açúcar, decretou que a justiça seria igual para todos, holandeses ou moradores da terra; respeitou as diferenças religiosas, financiou a compra de novos escravos – mesmo contrário à escravidão – mas proibiu o trabalho dos negros aos domingos, assim como a separação dos casais na hora da venda. Investiu na urbanização da nova cidade: calçou ruas com pedras, proibiu o tráfego de carros de boi, instituiu um corpo de bombeiros voluntário, implantou um imposto territorial urbano, construiu hospitais, asilos, estradas, fortes, pontes e canais para evitar inundações. Sua administração ficou marcada ainda por importantes investimentos culturais, com a construção de bibliotecas, museus, um observatório astronômico, escolas, teatros, além de dois palácios, um para a residência e despachos do governador (Palácio de Friburgo) e outro para descanso (Palácio da Boa Vista); estabeleceu um jardim zoológico e um jardim botânico e patrocinou a vinda de naturalistas, que pesquisavam a natureza americana. Foi um administrador eficiente, que transformou Recife, então um povoado sem expressão, submetido ao domínio político de Olinda, no principal centro administrativo e cultural da região. A partir de 1638, a queda do preço do açúcar no mercado de Amsterdã, base da economia colonial, deu início a uma crise econômica em Pernambuco. À contenção de investimentos no Brasil seguiu-se a cobrança de dívidas pela Companhia das Índias Ocidentais aos senhores de engenhos, o que gerou conflitos com sua administração. Manteve a expansão holandesa no Nordeste brasileiro, estendendo-se até o Maranhão; na África anexou Angola e São Tomé e Príncipe. O fim da União Ibérica (1580-1640), que tornava independente as coroas espanhola e portuguesa, reascendeu a pretensão lusa em reaver seus domínios na América e na África em posse dos holandeses; em 1641 Portugal e os Países Baixos assinam um tratado de trégua. Pediu dispensa do cargo à Companhia das Índias, descontente com a diminuição dos efetivos militares na colônia e com as dificuldades econômicas enfrentadas para manutenção do governo. Partiu de Recife em 11 de maio de 1644, aclamado pelas tropas, autoridades e população em geral. Foi reintegrado à carreira militar como tenente-general da cavalaria, tendo participado da última campanha de Flandres (1645-1646) contra o exército espanhol. Em 1645 teve início a insurreição pernambucana contra o domínio holandês no Brasil, que terminaria somente em 1654. Convidado a governar o Brasil, em 1647, fez inúmeras exigências, que foram negadas pela Companhia das Índias. Neste mesmo ano foi nomeado governador dos condados de Mark e Ravensburg e do ducado de Cleve, onde criou a Universidade de Duisburg (1655). Ocupou o cargo de marechal do Exército dos Países Baixos (1655-1676), no qual combateu o bispo de Münster (1665), aliado dos ingleses, bem como os franceses (1667) e espanhóis (1671). Em 1658 exerceu a função de embaixador junto à Dieta de Frankfurt, a serviço do Grande Eleitor de Brandenburgo. Foi eleito grão-mestre da Ordem dos Cavaleiros de São João (1652) e elevado à dignidade de Príncipe do Império Alemão (1653). Morreu em Cleves, Alemanha, em 20 de dezembro de 1679.


Bibliografia

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SCHWARCZ, L. & STARLING, H. “Tão doce como amarga”. In: Brasil: uma biografia. São Paulo, Cia das Letras, 2015.

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