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André Pinto Rebouças

Publicado: Terça, 05 de Junho de 2018, 11h17 | Última atualização em Quinta, 12 de Julho de 2018, 17h01 | Acessos: 2057

Nasceu na cidade de Cachoeira, na Bahia, em 13 de janeiro de 1838. Era filho do deputado e conselheiro do Império Antônio Pereira Rebouças e de Carolina Pinto Rebouças, filha de um comerciante local. Seu pai teve origem modesta, descendendo de uma escrava alforriada e de um alfaiate português. Foi um advogado autodidata que fez uma singular carreira na administração e na política como deputado provincial e, mais tarde, deputado geral. Em 1846 mudou-se com os pais e os sete irmãos para o Rio de Janeiro, quando seu pai, que o alfabetizou, assumiu a cadeira de deputado geral. Estudou inicialmente no colégio de Camilo Tertuliano Valderato (1847), sendo transferido com o irmão Antônio para o colégio interno de Henrique Kopke, em Petrópolis (1849). Em 1852 retornou ao Rio de Janeiro, concluindo seus estudos no Colégio Marinho. Foi recusado, ao lado do irmão Antônio, como alunos pela Escola da Marinha, o que os levou a prestar exames para o curso de engenharia da Escola Militar, em 1854. Concluiu as disciplinas preparatórias em 1857, quando foi promovido a 2o tenente do Corpo de Engenheiros. Em 1859 bacharelou-se em ciências físicas e matemáticas e ingressou na Escola Militar e de Aplicação do Exército para complementação de estudos, obtendo o título de engenheiro militar, em 1860. Em 1861 partiu, ao lado do irmão, em viagem para Europa em curso de aperfeiçoamento de engenharia, tendo estudado fundações e obras portuárias. Na ocasião integrou a Comissão Especial Brasileira preparatória para Exposição Internacional de 1862, em Londres. Ao retornar ao país, foi contratado pelo governo imperial para trabalhar na inspeção e reforma dos portos e fortificações do litoral brasileiro, em Santos, Paranaguá e Santa Catarina. Em 1865, serviu como engenheiro na guerra do Paraguai, integrando-se à Comissão de Engenheiros do Exército até 1866, quando retornou à capital do Império por questão de saúde. Desligou-se do Exército e foi aprovado, em 1867, em concurso para professor substituto na Escola Central, onde passou a ministrar aulas na disciplina de Hidráulica. De 1866 a 1871 assumiu a direção das obras da alfândega e docas do Rio de Janeiro, em substituição ao engenheiro inglês Charles Neate. Criou as empresas Companhia das Docas da Alfândega do Rio de Janeiro, Companhia das Docas de d. Pedro II (RJ) e Companhia Florestal Paranaense, fundadas com capital privado nacional e estrangeiro. Demitido em 1871, no ano seguinte viajou para Europa e Estados Unidos. A partir de 1880 engajou-se no movimento abolicionista, tornando-se um militante ativo. Participou na criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão, ao lado de Joaquim Nabuco; criou a Associação Central Emancipadora, ao lado de Nicolau Moreira e Vicente de Sousa; a Sociedade Central de Imigração, junto com Afonso d'Escragnolle Taunay; e colaborou com a Confederação Abolicionista, com José do Patrocínio. Defendeu o fim da escravidão e a integração dos ex-escravos na sociedade, com reformas mais amplas que permitiriam a eliminação do latifúndio e a monocultura, promovendo o que denominava ‘democracia rural’. Monarquista, amigo íntimo do imperador d. Pedro II, com o advento da República, em 1889, exilou-se junto com a família real em Portugal. Viveu em Lisboa, onde trabalhou como correspondente dos jornais Gazeta de Portugal e The Times, de Londres. Em 1891 mudou-se para Cannes, na França, por solicitação de d. Pedro II. Em 1892, aceitou oferta de trabalho em Luanda, capital de Angola, permaneceu por pouco tempo em Lourenço Marques, atual Maputo, instalando-se em Barbeton e, posteriormente em Capetown, na África do Sul. Em 1893, devido às suas críticas à colonização inglesa na África do Sul e à política de segregação racial, mudou-se para a Ilha da Madeira, tendo se fixado em Funchal. Foi membro do conselho diretor do Clube de Engenharia, fundado em 1880, do Instituto Politécnico, e sócio da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional. Colaborou com vários periódicos, especialmente no combate à escravidão, e publicou livros como Memórias sobre os Caminhos de Ferro da França, Estudos sobre Portos de Mar, ao lado do irmão Antônio Rebouças, e Agricultura nacional, estudos econômicos: propaganda abolicionista e democrática, Diários e Notas Autobiográficas. Morreu em Funchal, Ilha da Madeira, em 9 de maio de 1898.

 

 

Daniela Hoffbauer

17 out. 2017

 

Bibliografia

CARRIS, Luciene. André Rebouças. In: ERMAKOFF, George (org.). Dicionário Biográfico Ilustrado de Personalidades da História do Brasil. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2012.

CARVALHO, Maria Alice Rezende de. O Quinto Século. André Rebouças e a construção do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Revan/IUPERJ, 1998.

GRINBERG, Keila. André Rebouças. In: VAINFAS, R. (dir.). Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889). Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

MATTOS, Hebe. André Rebouças e o pós-abolição: entre a África e o Brasil (1888-1898). Disponível em: <https://goo.gl/koq1JJ>. Acesso em: 31 out. 2017.

 

 

 

 

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