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Hermes Rodrigues da Fonseca

Publicado: Quinta, 16 de Abril de 2020, 10h40 | Última atualização em Sexta, 15 de Mai de 2020, 10h52 | Acessos: 1694

Nasceu na cidade de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, em 12 de maio de 1855. De família tradicional de militares, era filho do marechal do Exército Hermes Ernesto da Fonseca e de Rita Rodrigues Barbosa. Seu pai serviu na Guerra do Paraguai (1865-1870), foi presidente da província de Mato Grosso (1875-1878) e governador da Bahia (1890). Seu tio, o marechal Manuel Deodoro da Fonseca (1827-1892) chefiou o governo provisório (1889) e foi o primeiro presidente da República (1889-1891). Em 1877, casou-se com sua prima Orsina Francioni da Fonseca, filha do coronel honorário Pedro Paulino da Fonseca (1829-1902), seu tio por parte de pai, que foi governador de Alagoas (1889-1890) e senador republicano (1891-1893). Em 1913, casou-se em segundas núpcias com Nair de Teffé von Hoonholtz (1886-1981), primeira caricaturista da imprensa brasileira. Fez seus primeiros estudos na sua residência, ingressando no Colégio Saint Louis, em 1866, do qual foi expulso por indisciplina. Estudou no Imperial Colégio de Pedro II e frequentou o curso noturno do Liceu de Artes e Ofícios. Em 1871, conseguiu o título de bacharel em letras, ingressou no Exército e matriculou-se na Escola Militar, onde fez contato com a filosofia positivista. Concluiu o curso de infantaria e cavalaria (1876), e o de artilharia (1877). Fez uma sólida carreira militar, tendo sido promovido a segundo-tenente (1876), a primeiro-tenente (1877), a capitão (1881), a major e a tenente-coronel (1890), a coronel (1894), a general de brigada (1900), a general de divisão (1905) e a marechal (1906). Exerceu a função de ajudante de ordens do seu pai, o marechal Hermes Ernesto da Fonseca, então comandante das armas da província do Pará, e assumiu o comando da 1ª Bateria do 2º Regimento de Artilharia no Rio de Janeiro (1891). Foi ajudante de ordens do conde d’Eu durante a inspeção dos corpos militares no sul do país e comandante-geral da artilharia do Exército imperial. Após a Proclamação da República, movimento do qual participou ativamente, tornou-se secretário militar de seu tio, o marechal Manuel Deodoro da Fonseca, que assumiu a chefia do Governo Provisório em 15 de novembro de 1889. Posteriormente, assumiu o comando do 2º Regimento de Artilharia de Campanha do Rio de Janeiro (1891). Quando eclodiu a Revolta da Armada (1893-1894), ocupava o cargo de diretor do Arsenal de Guerra da Bahia, mas voltou para o Rio de Janeiro, participando da repressão aos revoltosos. Foi nomeado chefe da Casa Militar da Presidência da República (1896-1897) na gestão interina do vice-presidente Manuel Vitorino (1896-1897) e, em 1897, participou da comissão incumbida de redigir o primeiro regulamento do Estado-Maior do Exército (EME), criado em 1896. Retornou ao comando do 2º Regimento de Artilharia Montada da capital federal em 1897 e passou a comandar a brigada Policial do Rio de Janeiro (1898-1906), além de exercer o cargo de diretor da Escola Preparatória e Tática do Realengo (1904). Assumiu a pasta da Guerra (1906-1908), foi ministro do Supremo Tribunal Militar (1908), e presidente da República (1910-1914). À frente do Ministério da Guerra adotou medidas que visavam à modernização do Exército, entre as quais se destacou o envio de oficiais brasileiros para entrar em contato com a instrução militar alemã considerada exemplar à época. De volta ao Brasil, esses oficiais, chamados ‘jovens turcos’, tornaram-se defensores da modernização das Forças Armadas. Embora algumas dessas ações com vistas à reorganização do Exército tenham se concretizado, tais como o estabelecimento das brigadas estratégicas e a aquisição de equipamento bélico, o resultado de algumas delas, seja por questões financeiras, seja por resistência nos meios políticos e mesmo militares, ficou aquém do esperado. Na década de 1910, lançou sua candidatura prometendo renovar os quadros políticos, principalmente em nível estadual e acabar com a corrupção, concorrendo com Rui Barbosa (1894-1923) cuja campanha foi chamada civilista, pois combatia o militarismo representado pela candidatura situacionista. Tomou posse na Presidência em 15 de novembro de 1910 enfrentando logo de início a Revolta da Chibata, pois tinha por objetivo abolir os castigos físicos a que os marinheiros, em sua maioria negros e mulatos pobres, eram submetidos. Seu governo se comprometeu a eliminar os castigos físicos então infligidos se os revoltosos encerrassem o movimento. No entanto, outra revolta liderada pelos fuzileiros navais desencadeou uma violenta repressão por parte do governo, resultando na prisão desses últimos e dos integrantes da Revolta da Chibata, que, depois, foram absolvidos. A partir de 1911, seu governo adotou uma orientação denominada ‘política das salvações’, que visava substituir os grupos que se encontravam no poder em nível estadual por outros mais coadunados com o governo central, empregando, para tanto, desde artimanhas eleitorais até a força militar. Bem sucedida nas regiões Norte e Nordeste, sua orientação não chegou a interferir nas oligarquias locais dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Entre a série de conflitos registrados no país, resultante da intervenção federal, destacou-se o confronto ocorrido no Ceará, em 1913, onde o grupo situacionista, depois de desinstalado do poder, uniu-se ao líder religioso Cícero Romão Batista (1844-1934), conseguindo, assim, em março de 1914, após violentos embates, retomar o poder local. Em 1912, enfrentou a Guerra do Contestado, conflito armado entre as forças governistas em nível federal e estadual e os sertanejos que viviam na região que se localizava entre Santa Catarina e Paraná, objeto de disputa entre ambos os estados. Derrotou os revoltosos em 1916. Em 1912, patrocinou o IV Congresso Operário Brasileiro, realizado no Rio de Janeiro, no palácio Monroe, onde foi anunciada a criação da Confederação Brasileira do Trabalho, uma iniciativa inédita em meio às crescentes mobilizações sindicais do período. Decretou o estado de sítio na capital federal para refrear as greves, controlar o movimento operário e impedir as manifestações populares contra a deportação de sindicalistas e a expulsão de estrangeiros metidos no movimento grevista. Na área militar, inaugurou a Escola Brasileira de Aviação (1913) e criou a Escola Naval de Guerra (1914), depois denominada Escola de Guerra Naval. Em 1876, foi iniciado na Loja Ganganelli do Rio, que então se encontrava sob a jurisdição do Grande Oriente Unido, tendo sido integrada em 1883 ao Grande Oriente do Brasil. Recebeu o título de sócio remido da Loja Maçônica Amor ao Trabalho (1910), afiliado livre da Loja 2 de Dezembro, ambas situadas no Rio de Janeiro, e patrono da cadeira nº 24 da Academia Paranaense de Letras Maçônicas. Foi agraciado com a medalha de ouro do Mérito Militar. Morreu em Petrópolis, em 9 de setembro de 1923.

Daniela Hoffbauer
Gláucia Tomaz de Aquino Pessoa
Jun. 2019

Bibliografia

ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff. 5ª ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: O Arquivo, 2012.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 8ª ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Fundação para o Desenvolvimento da Educação, 2000.

HERMES DA FONSECA. In: ERMAKOFF, George (org.). Dicionário biográfico ilustrado de personalidades da história do Brasil. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2012.

HERMES DA FONSECA. In: ABREU, Alzira Alves de (coord.). Dicionário histórico-biográfico da Primeira República 1889-1930. Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: https://bit.ly/2IGh8Is. Acesso em: 12 jun. 2019.

 

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