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Diretoria de Meteorologia e Astronomia

Publicado: Quinta, 14 de Abril de 2022, 10h13 | Última atualização em Quinta, 28 de Abril de 2022, 17h34 | Acessos: 475
Vista do Morro do Castelo, Rio de Janeiro, 1889
Vista do Morro do Castelo, Rio de Janeiro, 1889

A Diretoria de Meteorologia e Astronomia foi criada pelo decreto n. 7.672, de 18 de novembro de 1909, subordinada ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, sob direção de Henrique Morize. A instituição foi formada pela unificação das atividades das redes de observação meteorológicas da Marinha e do Telégrafo com as do Observatório do Rio de Janeiro, que foi transformado em Observatório Nacional e incorporado à recém-criada diretoria (Oliveira, 2009, p. 26-27).

A organização de uma pasta específica para a agricultura, distinta dos assuntos de viação e obras públicas, bem como a criação e a incorporação de órgãos científicos como o Jardim Botânico e o Museu Nacional, assumiram uma orientação utilitária, de ciência aplicada no desenvolvimento e modernização das práticas agrícolas no país (Ministério, 2017; Bhering; Maio, 2011). Nesse contexto, a Diretoria de Meteorologia e Astronomia foi concebida como um órgão especializado, que tinha como atribuição elaborar estudos, pesquisas, e divulgar dados nas áreas de meteorologia, climatologia, astronomia e geodesia.

As principais atividades da diretoria eram mapear a ocorrência das chuvas e das secas, o regime das estiagens e cheias de rios, buscando a solução de problemas de abastecimento de águas nas regiões secas; fazer a previsão do tempo e dar avisos marítimos e agrícolas, noticiando a formação e marcha das depressões, ondas frias, tempestades, dentre outros fenômenos; identificar os diversos climas do país, assim como determinar as posições geográficas dos pontos mais importantes do território e executar trabalhos geodésicos visando à organização do mapa geográfico da República; fazer todas as observações astronômicas, geodésicas e de física do globo, especialmente do Brasil; regular os cronômetros dos serviços públicos, divulgar a hora mediante o sinal convencionado, bem como transmitir diariamente o sinal do meio-dia à Repartição Geral dos Telégrafos e à Estrada de Ferro Central do Brasil. Cabia também ao órgão a publicação dos trabalhos e de um anuário com essas informações (Brasil, 1913a, p. 918-923).

A sede da Diretoria de Meteorologia e Astronomia funcionava nas dependências do Observatório Nacional, no morro do Castelo, que abrigava a administração geral do órgão, as seções de Meteorologia e Física do Globo e de Astronomia e Geodésia, além de uma estação telegráfica. Os trabalhos também deveriam ser desenvolvidos em observatórios regionais e nas estações.

Um ano depois da criação da diretoria, houve um considerável aumento na quantidade de estações locais, já que o governo federal disponibilizava ajuda financeira, mas a demora para a instalação dos equipamentos e a dificuldade de recrutar pessoal capacitado atrasavam o funcionamento pleno dos serviços. Apesar das dificuldades iniciais, o órgão conseguiu ampliar suas atividades. Na reforma administrativa de 1915, por exemplo, além dos observatórios regionais e estações, constavam em sua estrutura administrativa uma estação horária radiotelegráfica na ilha de Fernando de Noronha, estações magnéticas e geofísicas, e também pluviométricas (Brasil, 1915, p. 2.701-2.704; Oliveira, 2009, p. 35-35).

O serviço de previsão do tempo e informações meteorológicas foi implantado em 1917, voltado para a aviação, marinha e especialmente para a agricultura. Houve ainda um considerável avanço no campo da climatologia, com a expansão da rede climatológica nacional. Na astronomia, o órgão se destacou por coordenar, por meio do Observatório Nacional, a expedição inglesa que observou o eclipse total do sol, em Sobral, Ceará (Oliveira, 2009, p. 34-39).

A partir de 1919, o engenheiro Joaquim de Sampaio Ferraz, que administrava a seção de Meteorologia e Física do Globo, com apoio do diretor Henrique Morize, passou a defender a separação das áreas de astronomia e meteorologia, alegando que o atrelamento atrapalhava o desenvolvimento dessa última ciência, já que o compartilhamento de funções limitava a expansão e a manutenção das observações climatológicas e da previsão do tempo (Oliveira, 2009, p. 39-41; A contribuição..., 2005, p. 22). O governo federal acatou as argumentações, e por meio do decreto n. 14.827, de 25 de maio de 1921, dividiu as atividades da Diretoria de Meteorologia e Astronomia entre dois órgãos distintos: Diretoria de Meteorologia e Observatório Nacional.

Louise Gabler
Jul. 2020

 

Fontes e bibliografia

A CONTRIBUIÇÃO de Sampaio Ferraz. Revista Cirrus, Maceió, ano I, n. 3, jul./ago., 2005. Disponível em: https://bit.ly/2Dg2TKg. Acesso em: 28 jul. 2020.

BHERING, Marcos Jungmann; MAIO, Marcos Chor. Ciência, positivismo e agricultura: uma análise do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio na Primeira República. Varia Historia, Belo Horizonte, v. 27, n. 46, jul./dez. 2011.

BRASIL. Decreto n. 7.672, de 18 de novembro de 1909. Cria no Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio a Diretoria de Meteorologia e Astronomia. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, v. 2, p. 918-923, 1913a.

______. Decreto n. 8.038, de 26 de maio de 1910. Aprova o regulamento interno da Diretoria de Meteorologia e Astronomia. Coleção das leis da República dos Estados Unidos do Brasil. Rio de Janeiro, v. 1, p. 824-837, 1913b.

______. Decreto n. 11.508, de 4 de março de 1915. Reorganiza a Diretoria de Meteorologia e Astronomia. Diário Oficial da República dos Estados Unidos do Brasil. Poder Executivo, Rio de Janeiro, 11 mar. 1915. Seção 1, p. 2.701-2.704.

______. Decreto n. 14.827, de 25 de maio de 1921. Desdobra a Diretoria de Meteorologia e Astronomia em Diretoria de Meteorologia e Observatório Nacional. Diário Oficial da República dos Estados Unidos do Brasil. Poder Executivo, Rio de Janeiro, 3 jun. 1921. Seção 1, p. 10.806.

MINISTÉRIO da Agricultura, Indústria e Comércio. In: DICIONÁRIO da Administração Pública Brasileira da Primeira República (1889-1930), 2017. Disponível em: https://bit.ly/2EtZDM7. Acesso em: 2 jul. 2020.

OLIVEIRA, Fabíola de. Inmet: 100 anos de meteorologia no Brasil (1909-2009). Brasília: Inmet, 2009. Disponível em: https://bit.ly/3f1YuYM. Acesso em: 28 jul. 2020.

 

Documentos sobre este órgão podem ser encontrados no seguinte fundo do Arquivo Nacional

BR_RJANRIO_23 Decretos do Executivo - Período Republicano

 

Referência da imagem

Alfonso Lomonaco. Al Brasile. Milano: Societá Editrice Libraria, 1889. Arquivo Nacional, OR_0843

 

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