Nasceu em Pitangui, cidade de Minas Gerais, em 10 de agosto de 1900. Seu avô foi o engenheiro e físico Guilherme Schuch de Capanema, barão de Capanema (1824-1908), que inaugurou a primeira linha telegráfica do Brasil, em 1855, e fundou a Repartição Geral dos Telégrafos, a qual dirigiu durante o Império. Fez seus primeiros estudos na cidade natal, mudando-se em seguida para Belo Horizonte, onde estudou nos colégios Azeredo, Arnaldo e Ginásio Mineiro. Ingressou na Faculdade de Direito de Minas Gerais em 1920 e bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais em dezembro de 1924. No período de estudante, foi integrante do grupo de intelectuais da rua da Bahia, do qual participavam Mario Casassanta, Abgard Renault, Milton Campos e Carlos Drummond de Andrade. Em 1925, voltou para Pitangui, exercendo a advocacia e o magistério até 1929. Ao se lançar na carreira de professor, conviveu com a reforma do ensino iniciada por Francisco Campos, secretário do Interior do estado de Minas Gerais, durante o governo de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (1926-1930). Em 1927, ingressou na vida política, ao tornar-se vereador do município de Pitangui. Ao retornar a Belo Horizonte, apoiou a candidatura presidencial de Getúlio Vargas, lançada pela Aliança Liberal, frente de oposição que reuniu líderes políticos de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba para as eleições de março de 1930. Foi designado oficial de gabinete do seu primo Olegário Maciel, eleito presidente do estado de Minas. A seguir, ocupou o cargo de secretário de Interior e Justiça. No momento que precedeu a Revolução de 1930, em que líderes tenentistas e políticos da Aliança Liberal expressaram o desejo pela deposição de Washington Luís, Capanema se associou a Francisco Campos, que viria a ser o ministro de Educação e Saúde Pública (MESP) do governo provisório de Vargas. Em fevereiro de 1931, em conjunto com Francisco Campos e Amaro Lanari, aderiu ao lançamento do manifesto de fundação da Legião de Outubro, que ficou conhecida como Legião Liberal Mineira, uma organização paramilitar de inspiração fascista. Após a morte de Olegário Maciel, em 1933, Capanema foi nomeado interinamente interventor federal em Minas Gerais. Getúlio Vargas nomeou Benedito Valadares para o cargo efetivo, oferecendo a Capanema a direção da pasta do MESP, em 1934, órgão que seria renomeado para Ministério da Educação e Saúde. À frente dessa pasta até o fim do Estado Novo, em 1945, Gustavo Capanema ajudou a transformar amplamente o país, do ponto de vista educacional e cultural. Sua atuação na pasta se notabilizou pela centralização, em nível federal, das iniciativas da área da educação e da saúde pública no Brasil. Dedicou-se primordialmente ao campo da cultura, nomeando colaboradores como Carlos Drummond de Andrade (seu chefe de gabinete), Mário de Andrade, Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Candido Portinari, Rodrigo Melo Franco de Andrade, Heitor Villa-Lobos, além de outros artistas e intelectuais, que o ajudaram a fazer com que sua gestão fosse um período de grande desenvolvimento cultural, com a criação do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), o Serviço Nacional de Teatro (SNT) e o Instituto Nacional do Livro (INL). Foi responsável pela construção de grandes exemplares da moderna arquitetura brasileira, como o edifício-sede do Ministério da Educação e Saúde (Palácio Gustavo Capanema, hoje), projetado e desenvolvido por uma equipe que reuniu nomes como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, Carlos Leão e o franco-suíço Le Corbusier. No setor educacional, em 1937, transformou a Universidade do Rio de Janeiro em Universidade do Brasil, que passou a abrigar a recém-criada Faculdade Nacional de Filosofia e a Escola Nacional de Educação Física. Foi durante a sua gestão que a União Nacional dos Estudantes (UNE) foi reconhecida como representante legal dos estudantes das universidades. Em 1938, criou o Instituto Nacional de Ensino e Pesquisas Educacionais e designou para diretor Lourenço Filho, signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, para realizar uma grande reforma educacional no país. Fomentou a nacionalização de aproximadamente duas mil escolas localizadas nos núcleos de colonização do Sul do país. No campo do ensino profissionalizante, foi criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com o auxílio do empresariado. Na área da saúde, foi o responsável pela reestruturação administrativa da saúde pública, que se manteve praticamente inalterada até a criação do Ministério da Saúde, em 1953. Reestruturou o Departamento Nacional de Saúde (DNS) e criou os serviços nacionais de Febre Amarela, Malária, Lepra, Tuberculose, Câncer, Peste, Doenças Mentais, Educação Sanitária, Fiscalização da Medicina, Águas e Esgotos, Saúde dos Portos e Bioestatística. Sua gestão promoveu uma grande melhoria do sistema de saúde por todo o país. Com o fim do Estado Novo, ajudou a criar e tornou-se líder do Partido Social Democrático (PSD), que reunia políticos apoiadores de Vargas, e através do qual foi eleito deputado federal constituinte por Minas Gerais, em 1945. Foi eleito seguidamente para mandatos parlamentares. Foi ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) entre 1959 e 1961, retornando ao cargo de deputado logo depois. Foi partidário do golpe militar de 1964, que depôs o presidente João Goulart, e filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que apoiava o regime militar. Foi deputado até 1970. Em 1971, foi eleito senador por Minas Gerais, exercendo o mandato até 1979. Morreu em 14 de março de 1985, no Rio de Janeiro.
Daniela Hoffbauer
out. 2025
Bibliografia
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