Nasceu em São Leopoldo (RS), em 4 de fevereiro de 1890. Filho de João Boekel e Leopoldina Schreiner Boekel, descendentes de colonos alemães que chegaram ao Brasil em 1824. Ficou órfão de pai em 1893 e sua família transferiu-se de São Gabriel da Estrela para Setembrina, e depois para Barra do Ribeiro (RS), onde sua mãe casou-se em segundas núpcias com João Antônio Collor, nascido na Alemanha, de quem Lindolfo adotou o sobrenome. Fez seus primeiros estudos em Setembrina e Barra do Ribeiro e, quando a família transferiu-se para o Rio Grande (RS), estudou por três anos no Seminário Presbiteriano. Mudou-se para Porto Alegre em 1907, onde foi aluno de Emílio Meyer, no curso preparatório. Formou-se em farmácia em 1909, mas não exerceu a profissão. Iniciou sua carreira no jornalismo no mesmo ano, como repórter do Jornal do Comércio de Bagé (RS) e publicou seu primeiro livro de poemas ainda em 1909. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1911. Foi trabalhar na conservação do Jardim Botânico. A seguir, empregou-se no Jornal do Comércio da capital da República e passou a escrever para seu folhetim semanal O meu sábado. Por meio da amizade com José Gomes Pinheiro Machado, senador pelo Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), e de sua atividade jornalística, estreitou laços com o mundo político e com o PRR. Casou-se, em 1914, com Hermínia de Sousa e Silva, filha do deputado Bartolomeu de Sousa e Silva, proprietário do jornal A Tribuna, e assumiu a direção do periódico. Em 1916, ingressou na Escola de Altos Estudos Sociais, Jurídicos e Econômicos do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Tornou-se um dos membros mais influentes da “geração de 1907” do PRR, que era composta por Getúlio Vargas, José Antônio Flores da Cunha e Antônio Paim Filho. Voltou para o Rio Grande do Sul, em 1919, convidado por Antônio Augusto Borges de Medeiros, presidente do estado e dirigente do PRR, para dirigir A Federação, periódico oficial do partido. Elegeu-se deputado estadual em 1921 e participou da campanha da Reação Republicana em 1922. Manifestou-se contra o levante tenentista e apoiou a ordem constitucional. Eleito deputado federal em 1923, assumiu o cargo de redator-chefe do jornal O País. Integrou a Aliança Liberal, formada em 1929, constituída pela Frente Única Gaúcha (FUG) em aliança com o Partido Republicano Mineiro (PRM), que unia forças políticas contra o governo federal de Washington Luís e reivindicava a presidência de Getúlio Vargas. Renunciou à Comissão de Finanças da Câmara em setembro de 1929. Ainda em setembro daquele ano, a convenção do governo indicou o nome do paulista Júlio Prestes para a corrida presidencial e o do baiano Vital Soares para a vice-presidência. A partir dessa iniciativa do Partido Republicano Paulista (PRP), assegurada por Washington Luís, houve a ruptura do acordo velado com o PRM, da “política do café com leite”, que alternava a presidência da República entre representantes de cada um desses estados. A ruptura desse pacto, que se iniciara com o governo de Francisco de Paula Rodrigues Alves (1902-1906), fortaleceu a possibilidade de a Aliança Liberal ser uma alternativa para a eleição dos republicanos mineiros. A convenção aliancista, realizada ainda em 1929, assegurou a candidatura Vargas-João Pessoa e lançou um manifesto à nação brasileira, escrito por Lindolfo Collor. O manifesto enfatizava questões sociais e direitos trabalhistas. A campanha da Aliança Liberal teve um bom apoio da sociedade, mas enfrentou grandes obstáculos na área financeira. Após a derrota nas eleições de março de 1930, Lindolfo participou da articulação para a Revolução de 1930. A insurreição começou em 3 de outubro de 1930, resultando na deposição de Washington Luís. Collor foi nomeado ministro do Trabalho, Indústria e Comércio e promoveu reformas trabalhistas significativas, refletindo uma nova abordagem à questão social. Defendeu a correlação entre justiça social e mercado interno e implementou a Lei Sindical de 1931, reformulando a relação entre sindicatos e o Estado. Introduziu a “Lei dos 2/3”, garantindo a preferência de trabalhadores brasileiros em indústrias. Promoveu diversas legislações que estabeleceram direitos trabalhistas e regulamentações. Uniu-se ao movimento pela reconstitucionalização e enfrentou a repressão do governo. Demitiu-se do ministério em março de 1932, criticando a censura e a falta de liberdade de opinião. Participou ativamente do movimento constitucionalista, que começou em julho de 1932, em São Paulo. Após a derrota do movimento, exilou-se na Argentina e em outros países sul-americanos. Foi nomeado diretor da Companhia Sul América de Seguros, representando a empresa no Peru entre janeiro e julho de 1934. Durante o exílio, escreveu sobre a Guerra do Chaco e defendeu políticas sociais inspiradas no New Deal de Franklin Roosevelt. Foi beneficiado pela anistia, retornou ao Brasil em 1934, mas enfrentou dificuldades para se restabelecer na política. Candidatou-se à Câmara dos Deputados em 1935, mas não foi eleito. Fixou residência no Rio de Janeiro, permanecendo no posto de diretor da Companhia Sul América durante o ano de 1935. Participou das negociações para pacificar as forças gaúchas após a Revolução de 1932. Em 1936, integrou o governo como secretário de Finanças, mas acabou rompendo com a direção do PRR. Criticou a aliança com o governo federal e se distanciou do PRR e da FUG. Fundou o Partido Republicano Castilhista em março de 1937, na tentativa de unir as forças oposicionistas. O partido recebeu apoio da ala jovem e progressista do PRR. Lindolfo manteve-se no campo oposicionista, integrando junto com as forças paulistas de oposição a União Democrática Brasileira. A agremiação apoiou a candidatura de Armando de Sales Oliveira à presidência nas eleições de 1938. A intervenção federal e a renúncia de Flores da Cunha marcaram a ascensão do Estado Novo. Em outubro de 1937, o general Daltro Filho foi designado para o comando da 3ª Região Militar, no Rio Grande do Sul, como interventor federal do Estado. O golpe de 10 de novembro de 1937 resultou na implantação do Estado Novo e na dissolução do Congresso e de todos os partidos políticos. Collor permaneceu em Porto Alegre, dedicando-se à Companhia Sul América e às atividades acadêmicas na Escola de Comércio. Em 1938, foi preso por envolvimento em conspirações contra o governo. Foi detido três vezes, entre abril e outubro de 1938.  Afinal, recebeu ordem de deixar o país com urgência, embarcando no Rio de Janeiro para a Europa. Durante seu exílio, redigiu artigos para o Diário de Notícias e foi diretor da Revista Lar Brasileiro, da Companhia Sul América. Com a instauração da Segunda Guerra, em 1939, precisou sair da França, mudando-se para Portugal. Escreveu artigos contrários ao governo nazista e ao avanço dos países do Eixo. Devido às dificuldades de comunicação, parou de escrever sobre a guerra. Voltou-se então para a literatura e publicou dois livros pela editora Pan-Americana, do Rio de Janeiro: Europa 1939 (1941) e Sinais dos tempos (1942). Superou condições impostas pelo governo federal e voltou ao Brasil em 1941, mas continuou a se opor ao Estado Novo. Em condições de saúde precárias, foi preso por criticar o regime. Manteve contatos com grupos oposicionistas, incluindo comunistas. Deixou importante legado na história política e cultural do Brasil. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e membro da Academia de Letras do Rio Grande do Sul. Morreu em 21 de setembro de 1942, no Rio de Janeiro.

Daniela Hoffbauer
fev. 2026

 

Bibliografia

BRUINELLI, Tiago. Lindolfo Collor: múltiplas narrativas. Dissertação (Mestrado em História) –Universidade do Vale dos Sinos, São Leopoldo, RS, 2013. Disponível em: https://shre.ink/A6DG. Acesso em: 23 jan. 2026.

COLLOR, Lindolfo. In: ABREU, Alzira Alves de. DICIONÁRIO histórico-biográfico da Primeira República (1889-1930). Rio de Janeiro: Editora FGV. Disponível em: https://shre.ink/A6B. Acesso em: 19 jan. 2026.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 13. ed. São Paulo: Edusp, 2010.

RODRÍGUEZ, Ricardo Vélez. Lindolfo Boeckel Collor (1890-1942) e as bases estratégicas do Estado getuliano. In: RESEARCH Gate. Disponível em: https://shre.ink/A68Z. Acesso em: 22 jan. 2026.