Nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, em 12 de abril de 1887. Era filho de Alcides de Mendonça Lima e de Leufrida Martins de Lima. Seu pai foi jurista, promotor público e juiz em cidades do Rio Grande do Sul, bem como deputado federal junto à Constituinte de 1891, representando a bancada gaúcha. Ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha e, em 1904, esteve envolvido, na condição de aluno, na revolta que eclodiu a partir daquele centro de formação militar contra o presidente da República, Rodrigues Alves. Em virtude disso, foi excluído do Exército Brasileiro, porém, posteriormente, reintegrado. Iniciou a carreira militar como aspirante, no ano de 1908, e, na década de 1920, vinculou-se ao “Movimento Tenentista”. Quando da eclosão das conspirações que levaram à deposição do presidente Washington Luís, em 1930, era chefe do Estado-Maior no Paraná. Tomou parte nos enfrentamentos ocorridos em Itararé, região fronteiriça entre os estados de São Paulo e Paraná, lutando ao lado das forças rebeldes contra as legalistas. Posteriormente, foi secretário de Viação e Obras Públicas do estado de São Paulo, entre o final de 1931 e meados de 1932, durante as administrações de Manuel Rabelo e Pedro de Toledo, ambos interventores nomeados pelo governo provisório de Getúlio Vargas. Entre 1933 e 1937, foi diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB). São considerados marcos da sua gestão na empresa as obras de eletrificação dos trilhos da estrada de ferro, a racionalização do sistema de tarifas, a renovação do material rodante e a inauguração dos novos edifícios da sede da EFCB e da estação Dom Pedro II, no Rio de Janeiro, capital do Brasil. Em novembro de 1937, foi nomeado titular do Ministério de Viação e Obras Públicas (MVOP), cargo que exerceu até outubro de 1945. O período de sua atuação à frente da pasta ficou marcado pela ampliação e interligação de estradas de ferro em todas as regiões do país e pela encampação estatal de ferrovias deficitárias, tais como a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e a Rede de Viação Paraná-Santa Catarina. Outros destaques foram a realização de empreendimentos em benefício da produção do carvão nacional, a implantação da siderurgia no Brasil, a criação da Fábrica Nacional de Motores e de uma fábrica de aviões em Lagoa Santa, e esforços em prol de uma política de coordenação e nacionalização dos transportes. Data daquele período a aprovação do Plano Rodoviário Nacional, por meio do decreto n. 15.093, de 20 de março de 1944, que teve como uma de suas preocupações estimular o processo de interiorização de vias pioneiras, favorecendo a articulação e, consequentemente, a expansão e diversificação comercial. No governo de Eurico Dutra, foi nomeado presidente do Instituto de Resseguros do Brasil, função que exerceu até 1951. No ano seguinte, presidia a Construtora Beira Rio S.A. e, em 1954, figurava como diretor-presidente da empresa privada Lóide Aéreo. Foi membro do Conselho Consultivo da Estrada de Ferro Central do Brasil desde a criação daquela instância, em 1951, até o princípio da década de 1960. No Exército, chegou a general de divisão, passando para a reserva no ano de 1946. Faleceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 16 de fevereiro de 1965.
Walter Pereira
abr. 2026
Bibliografia
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