
O médico psiquiatra Juliana Moreira, figura construtora das políticas públicas voltadas para a questão da saúde mental.
Em 10 de outubro de 1992, foi criado o Dia Mundial da Saúde Mental, pela Federação Mundial para Saúde Mental (World Federation for Mental Health), uma organização global que reúne entidades e profissionais em mais de 150 países. A iniciativa tem como objetivo promover a educação sobre saúde mental, promover a conscientização pública e combater o estigma social associado ao tema.
O cuidado e a atenção com a saúde mental são algo relativamente recente na história, no Brasil e no mundo. A própria concepção de doença mental é social e historicamente construída – apenas a partir do final do século XVIII e ao longo do XIX, com o desenvolvimento da especialidade médica da psiquiatria, ela passou a ser considerada como condição médica, e o doente, a ser visto e assistido de forma diferenciada. No início do período republicano, foi criada a Assistência Médica e Legal de Alienados, pelo decreto n. 206-A, de 15 de fevereiro de 1890, com a atribuição de amparar os doentes mentais, de origem brasileira ou estrangeira, que necessitassem de auxílio público ou precisassem dar entrada nos hospícios conveniados, mediante alguma contribuição. A Assistência Médica e Legal de Alienados era constituída pelo Hospício Nacional de Alienados, a colônia Conde de Mesquita e a colônia de São Bento. O Hospício Nacional de Alienados era o estabelecimento central da assistência psiquiátrica local, para onde iam os doentes com suspeita de transtornos mentais, que, após a verificação dos sintomas, eram encaminhados para admissão nos asilos. As colônias de Conde de Mesquita e de São Bento, localizadas na Ilha do Governador, eram reservadas aos doentes mentais indigentes transferidos do Hospício Nacional que estivessem aptos para o trabalho na agricultura e nas indústrias. Duas grandes personalidades foram fundamentais no processo de constituição da história da saúde mental brasileira, os psiquiatras Juliano Moreira e Heitor Carrilho, personagens essenciais para o desenvolvimento de instituições públicas voltadas para a questão da saúde mental.
Na atualidade, o Brasil conta com organizações governamentais, como a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que faz parte do SUS, que oferecem atendimento por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), das Unidades de Pronto Atendimento (Upas) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), além de hospitais gerais e de atenção primária. No plano não governamental, o Centro de Valorização da Vida (CVV) disponibiliza iniciativas de apoio emocional e prevenção ao suicídio, e a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata) proporciona grupos de apoio e esclarecimento para pessoas com depressão e transtornos bipolares. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) também é referência na área, desenvolvendo e atualizando diretrizes baseadas em evidências científicas. Essas organizações oferecem diferentes maneiras de apoio e cuidado, do atendimento de emergência e tratamento clínico ao suporte emocional e grupos de partilha.
Referência da imagem
Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã. BR_RJANRIO_PH_0_FOT_35126_004.