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Bernardino José de Campos Júnior

Publicado: Quinta, 21 de Janeiro de 2021, 10h17 | Última atualização em Quarta, 17 de Fevereiro de 2021, 11h20 | Acessos: 161

Nasceu em Pouso Alegre, Minas Gerais, em 6 de setembro de 1841. Sua família era de Campinas, filho de Felisbina Rosa Gonzáles de Campos e Bernardino José de Campos, juiz de direito que se transferira por imposição do trabalho. Iniciou os estudos já em Campinas, mas mudou-se para São Paulo para realizar o secundário e o preparatório para o curso jurídico, no Colégio Júlio. Em 1858 ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, tendo concluído o curso em 1863. Já formado, voltou para Campinas para trabalhar no escritório de seu pai, que foi assassinado no ano seguinte por um réu que perdera uma ação. Transferiu-se para a cidade de Amparo, São Paulo, em 1866, onde abriu escritório e passou a atuar como advogado de acusação. Foi jornalista, tendo colaborado no Correio Paulistano, dirigido por Américo Brasílio de Campos, seu irmão. Fundou o Tribuna Amparense (1873), dirigiu o jornal O País, ao lado de Quintino Bocaiuva, e o jornal Época, ao lado de Peixoto Gomide, Muniz de Sousa e Antônio Bittencourt (1879), além de ter participado de diversos jornais que faziam propaganda republicana, como o Correio Paulistano, a Gazeta de Campinas, o Província de São Paulo e o Diário Popular. Em 1870 fez a leitura do ‘Manifesto Republicano’ em sua casa e fundou o Clube Republicano, que se transformaria no Partido Republicano Amparense. Foi também um dos fundadores da Loja Maçônica Trabalho (1872) e do Clube 8 de Setembro (1885), além de ter integrado outros grupos comprometidos com as causas republicana e abolicionista, como o Caifazes, formado por Antônio Bento de Souza e Castro (1843-1898), que insuflavam a revolta nas senzalas e organizavam fugas massivas de escravos. Participou da Convenção Republicana de Itu, em 18 de abril de 1873, quando foi fundado o Partido Republicano Paulista (PRP). Foi eleito vereador da cidade de Amparo, em 1876 e em 1881, e deputado estadual, na vaga de Francisco Quirino dos Santos, em 1877. Compareceu ao Congresso Republicano, em 1878, como representante de Serra Negra, tendo se tornado membro permanente do PRP em 1882. Participou da elaboração, ao lado de Horácio de Carvalho e Manoel Ferraz de Campos Sales, do ‘Manifesto de 24 de maio’, que defendia a imediata derrubada da monarquia. Proclamada a República, foi nomeado chefe de polícia de São Paulo (1881-1890). Em 1890 foi eleito deputado constituinte e integrou a chamada Comissão dos 21, encarregada de elaborar parecer sobre a Constituição provisória apresentada à Assembleia Constituinte, tendo ainda sido eleito para presidência da Câmara dos Deputados na legislatura ordinária (1892). Foi eleito governador do estado de São Paulo (1892-1896), tendo atuação destacada na área de saneamento, especialmente no combate à epidemia de febre amarela que atingira Santos e na instrução pública. Teve ainda atuação determinante na defesa da legalidade e apoio ao governo Floriano Vieira Peixoto, por ocasião da Revolta da Armada e da Revolução Federalista, cuja marcha liderada por Gumercindo Saraiva deteve. Apoiou a candidatura de Prudente José de Moraes e Barros, seu companheiro do PRP, primeiro civil eleito à Presidência da República (1894-1898). Em 1896 foi eleito senador, tendo renunciado ao cargo para assumir a pasta da Fazenda, por convite de Prudente de Moraes, em substituição a Francisco de Paula Rodrigues Alves, em meio a uma profunda crise provocada pela política econômica do Encilhamento, com alta inflacionária e queda do preço do café no mercado internacional. Executou um plano de saneamento financeiro com o objetivo de resgatar as finanças públicas, renegociou a dívida externa e a abertura de crédito, reduziu tarifas aduaneiras e reorganizou o Tesouro Federal. Em 1900 foi reeleito senador, tendo ocupado a presidência da casa, mas renunciou ao cargo ao reeleger-se para o governo de São Paulo em 1902. À frente do governo do estado implementou novo plano de saneamento do porto de Santos, mais uma vez acometido por uma epidemia de febre amarela; melhorou o abastecimento de água da cidade de São Paulo e inaugurou o Museu do Ipiranga, tendo renunciado ao cargo em abril de 1904 para uma cirurgia de glaucoma em Paris. Restabelecido, retornou em 1905 ao Brasil, mas não assumiu novo cargo público. No ano seguinte faz nova viagem à Europa, quando ficou cego. Em 1909 foi aclamado presidente de honra do PRP, no qual manteve atuação política. Participou ativamente da campanha civilista de Rui Barbosa à Presidência da República, derrotado pelo opositor Hermes da Fonseca. Foi ainda consultor jurídico da Light paulista e da Estrada de Ferro Sorocaba, e recebeu o título de general honorário do Exército Brasileiro. Publicou obras com pareceres sobre projetos e relatórios ministeriais, como Constituinte de 15 de novembro a 31 de dezembro de 1890, sobre o Projeto de Constituição; Relatório apresentado ao Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, pelo Ministro de Estado dos Negócios da Fazenda, Bernardino de Campos (1897); Relatório apresentado ao Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, pelo Ministro de Estado dos Negócios da Fazenda, Bernardino de Campos (1898) e Parecer sobre os artigos 491 a 528 (Posse) e 701 a 717 (Servidão) do projeto do Código Civil (1902). Morreu na cidade de São Paulo, em 18 de janeiro de 1915.

 

Daniela Hoffbauer
Mar. 2020

 

Bibliografia

CAMPOS, Bernardino. Portal da Câmara dos Deputados. Disponível em: https://bit.ly/2y0wK6X. Acesso em: 16 mar. 2020.

CAMPOS, Bernardino de. Disponível em: https://bit.ly/2UWzM5p. Acesso em: 19 mar. 2020. 

COSTA, Sergio Corrêa da. A diplomacia do Marechal: intervenção estrangeira na Revolta da Armada. 3. ed. - Brasília: FUNAG, 2017.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp. 1996.

FERNANDES, Maria Fernanda Lombardi. Os republicanos e a abolição. Rev. Sociol. Polit., Curitiba, n. 27, p. 181-195, Nov. 2006. Disponível em: https://bit.ly/2JS2bmP. Acesso em: 9 abr. 2020.

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