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            O mês de junho de 2026 marca os 187 anos de nascimento de Machado de Assis. Nascido em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro, sede da Corte do Império do Brasil, Joaquim Maria Machado de Assis se notabilizou como jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo. Saiba mais....

   

 

 

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Obras de abertura do canal no Vale do Ceará-Mirim, 1910. Fotografia da 2ª seção da Inspetoria de Obras contra as Secas nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba
Obras de abertura do canal no Vale do Ceará-Mirim, 1910. Fotografia da 2ª seção da Inspetoria de Obras contra as Secas nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba

A Superintendência dos Estudos e Obras contra os Efeitos da Seca do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas foi criada pela decisão n. 14, de 7 de maio de 1906, com a finalidade de organizar e dirigir os serviços contra a seca em toda a região assolada, e a uniformizar os trabalhos então em execução voltados para essa mesma finalidade, objetivando torná-los mais eficazes e econômicos.

Os primeiros relatos sobre a ocorrência do fenômeno da seca na região semiárida nordestina remontam ao período colonial com registros referentes aos séculos XVI e XVII. Ao longo do XIX, ocorreram estiagens nos anos de 1824-1825, 1845, 1877-1879 e 1888-1889 (Campos, 2014; Dandaro; Marcondes, 2018, p. 114-115).

A partir da segunda metade do século XIX, foram iniciados os estudos sobre o fenômeno da seca destacando-se a criação de uma das primeiras comissões científicas, financiada pelo governo imperial, formada por naturalistas brasileiros e engenheiros, que explorou a província do Ceará entre os anos de 1859 a 1861. O resultado da pesquisa então realizada pela comissão e as propostas apresentadas para solucionar os prejuízos gerados pela ocorrência das secas norteariam as futuras ações e medidas governamentais para mitigar seus efeitos.

Nas décadas de 1860 e 1880, ocorreu um intenso debate sobre as estiagens e seus efeitos, envolvendo intelectuais e políticos que discutiram, primeiramente, se a seca era ou não um problema nacional e, portanto, se devia ou não se tornar objeto das ações e medidas governamentais. Muitas das propostas oriundas da comissão foram incorporadas a esse debate mais abrangente sobre o tema. Mas, nesse período, ocorreu a seca de 1877 a 1879, que intensificou as discussões, acirrando a disputa entre os diferentes pontos de vista dos intelectuais e cientistas à época sobre o fenômeno. Havia diversas propostas de ações emergenciais como, por exemplo, socorrer os sertanejos por meio de distribuição de alimentos e frentes de serviços, que gerariam empregos; instalar estações meteorológicas para prever o período de seca; transferir a população e a criação de gado para locais onde não houvesse estiagens; escavar poços e fontes artesianas e construir grandes açudes (Campos, 2014).

A prolongada seca de 1877 deixou uma população em torno de três milhões de flagelados, originando uma emigração em massa em direção ao litoral ou às zonas menos afetadas do sertão, e uma alta taxa de mortalidade devido à fome e às epidemias que grassavam. A seca trouxe grandes prejuízos para a região como um todo, mas afetou, particularmente, a província do Ceará.

A historiografia estabeleceu uma periodização, elegendo por marcos as ações e medidas adotadas pelos governos do Império e da República relacionadas às estiagens na região nordestina. Nessa perspectiva, a seca dos anos de 1877 a 1879 representou de fato uma mudança na forma de abordar o fenômeno climático, que ganhou a partir daquela data o estatuto de problema nacional e, portanto, sua resolução dependeria de medidas efetivas por parte do governo central, visando prevenir e mitigar seus efeitos (Campos, 2014).

Nesse contexto, foram então criados os primeiros órgãos destinados a atenuar os efeitos da seca, cuja estratégia privilegiou a formação de uma infraestrutura hidráulica por meio da construção de grandes açudes. A Comissão de Açudes e Irrigação de Quixadá, depois denominada Comissão de Açudes e Irrigação, foi instituída em decorrência da seca do final da década de 1870 para dar início às obras de açudagem e irrigação no vale do mesmo nome, situado na província do Ceará. Em 1906, foi criada a Superintendência dos Estudos e Obras contra os Efeitos da Seca, encarregada de organizar e dirigir os serviços de construção de açudes e perfuração de poços que já se encontravam em execução nos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. Tanto a comissão quanto a superintendência foram consideradas órgãos governamentais que institucionalizaram as ações de combate à seca (Campos, 2014; Dandaro; Marcondes, 2018, p. 115).

A Superintendência dos Estudos e Obras contra os Efeitos da Seca ficou incumbida também de realizar a sondagem para descobrir lençóis de água subterrâneos, determinando sua posição, profundidade e importância, além de estudar as condições de aproveitamento desses lençóis na irrigação dos terrenos ou abastecimento público nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte, e em quaisquer outros conforme determinações do governo federal. A superintendência se ocupou principalmente dos serviços de perfuração de poços tubulares nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, sendo extinta em 1909. Parte do quadro de pessoal da superintendência foi transferida para a Comissão de Açudes e Irrigação, que foi extinta com a criação da Inspetoria de Obras Contra as Secas (Brasil, 1910 a, p. 503).

 

Gláucia Tomaz de Aquino Pessoa
Abr. 2020

 

Fontes e bibliografia

BRASIL. Instruções de 18 de março de 1890. [Instruções que devem ser observadas pela comissão técnica incumbida por portaria desta data de prosseguir na execução das obras de construção do açude de Quixadá, no estado do Ceará]. Diário Oficial da República dos Estados Unidos do Brasil. Poder Executivo, Rio de Janeiro, 21 mar. 1890. Seção 1, p. 1223-1224.

______. Decisão n. 66, de 16 de setembro de 1907. Dá instruções para a Comissão de Açudes e Irrigação. Decisões do Governo da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, p. 68-72, 1912.

______. Decisão n. 14, de 7 de maio de 1906. Cria a Superintendência dos Estudos e Obras contra os Efeitos da Seca. Decisões do Governo da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, p. 13-15, 1910a.

______. Decisão n. 32, de 21 de maio de 1907. Altera o quadro de pessoal da Superintendência dos Estudos e Obras contra os Efeitos da Seca, encarregando-a de outros serviços. Decisões do Governo da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, p. 31, 1912.

______. Decisão n. 13, de 9 de março de 1909. Extingue a Superintendência dos Estudos e Obras contra os Efeitos da Seca, criada por portaria de 7 de maio de 1906. Decisões do Governo da República dos Estados Unidos do Brasil, Rio de Janeiro, p. 13, 1914.

______. Relatório do Ministério da Viação e Obras Públicas de 1909, apresentado ao presidente da República dos Estados Unidos do Brasil pelo ministro de Estado da Viação e Obras Públicas Francisco Sá. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1910b.

CAMPOS, José Nilson B. Secas e políticas públicas no semiárido: ideias, pensadores e períodos. Estudos Avançados, São Paulo, v. 28, n. 82, out./dez. 2014. Disponível em: https://bit.ly/2XRri1h. Acesso em: 17 abr. 2020.

DANDARO, Fernanda Massarotto; MARCONDES, Renato Leite. Obras públicas no contexto regional: secas e gastos no Nordeste brasileiro (1860-1940). Revista Econômica do Nordeste, Fortaleza, v. 49, n. 3, p. 113-127, jul./set. 2018.

 

Documentos sobre este órgão podem ser encontrados no seguinte fundo do Arquivo Nacional

BR_RJANRIO_23 Decretos do Executivo - Período Republicano

 

Referência da imagem

Arquivo Nacional, Fundo Coleção de Fotografias Avulsas. BR_RJANRIO_O2_0_FOT_0456_d0003de0014