Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Início do conteúdo da página

José Maria da Silva Paranhos, visconde do Rio Branco

Publicado: Quinta, 21 de Fevereiro de 2019, 12h40 | Última atualização em Quinta, 21 de Fevereiro de 2019, 12h45 | Acessos: 148

Nasceu em Salvador, Bahia, em 16 de março de 1819. Filho de Josefa Emerenciana de Barreiros e Agostinho da Silva Paranhos, vinha de uma família importante em Salvador, sendo seu pai um rico comerciante português. Com a morte do pai, a família enfrenta dificuldades financeiras em virtude de disputa com o sócio de seu pai pela fortuna deixada em herança, tendo se mudado para o Rio de Janeiro para viver com o irmão de sua mãe, o coronel de engenheiros Euzébio Gomes Barreiros. Iniciou seus estudos na Bahia, onde fez o curso primário (1825-1831) e aulas complementares (1831-1835). Em 1836 iniciou seus estudos no Rio de Janeiro, tendo cursado a Academia dos Guardas-Marinhas e a Escola Militar, graduando-se em ciências matemáticas e iniciando sua carreira no magistério. A partir de 1843 inicia carreira de professor na Academia dos Guardas-Marinhas e, em 1845, também na Escola Militar, onde alcançou o cargo de diretor (1875), tendo se jubilado no lugar de lente catedrático (1877). Atuou como redator do periódico liberal Novo Tempo e depois no Jornal do Commercio, de caráter mais moderado, e o Correio Mercantil, de linha conservadora. Sua carreira na imprensa, aliada ao apadrinhamento de Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho, o visconde de Sepetiba, direcionaram sua trajetória para a política. Em 1845 tornou-se deputado provincial pelo Partido Liberal, logo em seguida foi secretário, vice-secretário, vice-presidente e presidente interino da província do Rio de Janeiro. Em sua carreira política ocupou os cargos de deputado provincial (1848 e 1853-1856) e deputado geral (1848, 1854-1856, 1857-1860 e 1861-1862). Foi mais uma vez presidente da província do Rio de Janeiro (1858-1859) e, a partir de 1862, senador pela província de Mato Grosso, cargo que exerceria até sua morte. Atuou na chamada Missão do Prata como secretário, convidado por Honório Hermeto Carneiro Leão, o marquês de Paraná, onde iniciou sua carreira diplomática (1851), tendo sido ainda ministro residente em Montevidéu (1852). Ingressou, em 1853, no Partido Conservador, onde fez uma brilhante carreira. Assumiu por diversas vezes o cargo de ministro de Estado nas pastas da Marinha (1853-1855 e 1856-1857), dos Negócios Estrangeiros (1855-1857 e 1858-1859), Fazenda (1861-1862 e 1871-1875), e da Guerra (1871). Foi membro do Conselho de Estado (1866), além de ter desempenhado o cargo de presidente do Conselho de Ministros (1871-1875). Foi chefe da legação nas negociações de paz na região do Prata (1869-1870), ao final da Guerra do Paraguai (1864-1870), tendo como secretário seu filho, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o que lhe garantiu o título de visconde (1870). Seu gabinete no Conselho de Ministros promoveu diversas mudanças, como a aprovação da Lei do Ventre Livre (1871), o estímulo à entrada de imigrantes, as leis de controle do trabalho livre e a lei de naturalização, a reforma do Código do Processo Criminal (1871), a reforma no Código Comercial e a aduaneira, a padronização do sistema métrico e a reforma educacional (1874). Integrou várias associações e academias, foi grão-mestre da Grande Oriente do Brasil, a maior loja maçônica brasileira, presidiu o Montepio de Economia dos Servidores do Estado e a Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, foi vice-presidente do Instituto Politécnico, membro da Academia Real de Ciências de Lisboa, da Imperial Academia das Belas-Artes e sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, entre outros. Recebeu diversas comendas e homenagens, como a Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul, a Imperial Ordem da Rosa, a Ordem Nacional da Legião de Honra e a Grã-Cruz da Ordem de Leopoldo. Morreu no Rio de Janeiro, em 1º de novembro de 1880.

Louise Gabler

Set. 2018

 

Bibliografia

ABREU, Marta. José Maria da Silva Paranhos. In: VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2002, p. 438.

ALONSO, Ângela. Ideias em movimento: a geração 1870 na crise do Brasil Império. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

FONTANA, Laura Roberta. José Maria da Silva Paranhos: reflexões sobre o estado imperial. 2013. 106f. Dissertação (Mestrado em História Social) – Departamento de História, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013.

GABLER, Louise. Entre a Administração e a História: O lugar do Arquivo Público do Império nos projetos de modernização do Estado na década de 1870. Niterói: UFF, 2015. 130 p. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em História, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2015.

MOACYR, Primitivo. A instrução e o império: subsídios para a história da educação no Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1937. V. 2.

NEDER, Gizlene. “Carretilhas” em ação: Reforma e conservadorismo no Segundo Reinado. Dimensões, vol. 28, 2012, p. 82-102.

Fim do conteúdo da página