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Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Gabriel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, d. Pedro I

Publicado: Segunda, 19 de Dezembro de 2016, 10h50 | Última atualização em Quinta, 12 de Julho de 2018, 17h07 | Acessos: 927

Nasceu no Palácio de Queluz, Lisboa, Portugal, em 12 de outubro de 1798. Segundo filho de d. João VI e d. Carlota Joaquina, tornou-se o herdeiro do trono português em 1801, com a morte do primogênito, d. Antônio de Bragança. Foi o primeiro imperador do Brasil (1822-1831), e rei de Portugal com o título de d. Pedro IV (1826-1834). Casou-se por procuração, em 1817, com d. Maria Leopoldina, filha do imperador austríaco Francisco I, resultado de um acordo de Portugal com a casa de Habsburgo, num cenário de rearranjo político europeu após a derrota de Napoleão em 1815. Teve seis filhos com dona Leopoldina, dentre eles dois monarcas, d. Pedro II, do Brasil, e d. Maria da Glória, de Portugal. Não teve uma formação característica de um herdeiro ao trono real, dada a conjuntura política em que viveu após as invasões napoleônicas e a vinda da família real para o Brasil. Sofreu de epilepsia ao longo de quase toda a vida. Gostava de atividades ao ar livre, não tendo sido especialmente ligado às letras, no entanto lia e comunicava-se bem em francês e inglês. Teve diversos instrutores, como o professor de matemática da Universidade de Coimbra, dr. José Monteiro da Rocha; o frei franciscano Antônio da Nossa Senhora de Salete, que lhe ensinava língua e literatura latinas; o frei Antônio de Arrábida, seu confessor e mentor; o padre José Maurício Nunes Garcia, mestre da música sacra da Capela Real; o diplomata João Rademak, dentre outros. Compôs peças musicais, dentre as quais o Hino da Independência do Brasil e o Hino da Carta, considerado até o início do século XX, o hino nacional português. De espírito aventureiro e boêmio, ficou conhecido como galanteador e teve inúmeras aventuras amorosas, a mais longa com Domitila de Castro Canto e Melo, a futura marquesa de Santos, com quem teve cinco filhos bastardos. Com a morte de Leopoldina, em 1826, contraiu segundas núpcias com d. Amélia Auguste Eugenie Napoleona von Leuchtenberg, duquesa da família real da Bavária, em 1829, cujo contrato de matrimônio exigia o fim do relacionamento com Domitila de Castro. Teve atuação destacada na política após a Revolução Constitucionalista, que eclodiu em Portugal em 1820, e a convocação das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, instaladas com o objetivo de elaborar uma constituição para o império luso e seus domínios ultramarinos. Com a partida de d. João VI para Portugal, em 25 de abril de 1821, convocado pelas Cortes Gerais, assumiu o governo como príncipe regente. Conduziu o processo que culminou com a Independência brasileira, em 7 de setembro de 1822, defendendo os interesses dos diversos grupos que o apoiavam politicamente, bem como da coroa portuguesa no Brasil. Foi aclamado o primeiro imperador constitucional do Brasil. A dualidade dos princípios do Absolutismo, sob o qual foi educado, e o liberalismo constitucionalista que propunha limites ao poder monárquico, ficou evidente por ocasião do fechamento da Assembleia Constituinte em 12 de novembro de 1823. Outorgou a primeira Constituição brasileira, em 25 de março de 1824. Com a crise sucessória portuguesa, aberta com a morte de d. João VI, em 1826, foi proclamado rei de Portugal, como Pedro IV, mas abdicou em favor de sua filha, Maria da Glória, de sete anos. Ainda que afastados os temores de uma monarquia dual Brasil-Portugal, sofreu um imenso desgaste político ao longo de seu reinado, marcado pela oposição entre a forte centralização, aprovada pela Constituição de 1824, e as demandas por maior autonomia provincial, acrescidos ainda por problemas financeiros e o aumento da dívida pública. Abdica do trono brasileiro em favor de seu filho, d. Pedro de Alcântara, em 7 de abril de 1831. Parte com a família real para a Europa em 13 de abril de 1831, instalando-se inicialmente em Londres, mas fixa residência em Paris em agosto desse ano. Com o título de duque de Bragança retorna a Portugal para restituir o trono a sua filha, Maria da Glória, ocupado em 1828 por seu irmão, d. Miguel, que se proclamara rei sustentado pelas forças absolutistas. Desembarca em Portugal em 1832 e, com o apoio dos liberais, derrota d. Miguel, que assina a Convenção de Évora Monte, em 26 de maio de 1834. Sua filha, d. Maria da Glória, presta juramento e sobe ao trono em 20 de setembro de 1834, como Maria II. Morreu no Palácio de Queluz, Lisboa, Portugal, em 24 de setembro de 1834.


Bibliografia
LUSTOSA, Isabel. D. Pedro I: um herói sem nenhum caráter. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

NEVES, Lúcia B. Pereira. D. Pedro I. In: VAINFAS, R e NEVES, L.B.P(org). Dicionário do Brasil Joanino. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.

RANGEL, Alberto. Dom Pedro e a marquesa de Santos. São Paulo: Brasiliense, 1969.

SOUSA, Octavio Tarquinio de. A vida de D. Pedro I: história dos fundadores do Império do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972. 3v.

ZÚQUETE, Afonso E. Martins. “Dom Pedro quarto, primeiro Imperador do Brasil (1798-1834) e sua descendência”. In: Nobreza de Portugal. Lisboa: Editorial Enciclopédia, 1960.

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