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Caderno Mapa n.6- A Secretaria de Estado do Negócios da Guerra

violenta repressão aos liberais pernambucanos na Revolução Praieira não passa despercebida na análise

de Rocha, mas assim como ele avalia que houve excessos após as conquistas do primeiro período (1822-

1836), que tiveram de ser contidos pelas forças do regresso, esses excessos por parte dos conservadores

também seriam corrigidos a partir da entrada na terceira fase, a da ”Transação”,

A importância de destacar esse jogo político entre liberais e conservadores é essencial, uma vez que

as primeiras reformas administrativas ocorridas na Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra estão

diretamente ligadas à ascensão do Partido Conservador ao poder, durante o período chamado por J. J.

da Rocha de Reação. Na verdade, ao longo do Império, observaremos que a própria história da

secretaria está sintomaticamente ligada à história do Partido Conservador. Vejamos as ações

promovidas pelos conservadores, começando pelo gabinete organizado em 1837, chefiado pelo regente

Pedro de Araújo Lima, futuro Marquês de Olinda, e que ficou conhecido como “o Ministério das

capacidades”.

As reformas do Regresso

Assumindo o ministério em 1837, os conservadores nomearam Sebastião do Rêgo Barros

para

assumir a pasta dos negócios da Guerra. Dentro do quadro de propostas reformistas dos

conservadores, Rêgo Barros foi a voz do partido à frente do Ministério da Guerra. Em 1838 apresenta

seu Relatório Ministerial à Câmara abrindo com um discurso emblemático sobre o período que se

iniciava:

“Cumpre-me relatar-vos, que suposto o governo esteja na

convicção de que em breve cessarão os efeitos da vertigem

revolucionária, que tanto tem impedido o progresso da nossa

civilização e prosperidade, e tenha bem assim a esperança de ver em

pouco tempo ligadas por um vínculo indissolúvel todas as partes do

Império, única condição de felicidade, que nos asseguram as

experiências do passado, e o conhecimento do presente; todavia o

estado ainda convulsivo de algumas localidades, e as circunstâncias

especiais de outras reclamam altamente a presença de Forças mais ou

menos consideráveis. E sendo certo que algumas de nossas províncias

confinam com estados estrangeiros, e que a grande extensão de

nossas fronteiras se acha toda em aberto, indispensável se torne que

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